quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Projeto Uca chega às Escolas do Campo

O Projeto UCA - Um Computador Por Aluno, chegará em 2013 às escolas do Campo. A cidade de Floriano será beneficiada com 03 escolas. A Coordenação municipal já começou a criar uma estratégia de trabalho para a implantação do projeto nas escolas. Vejam matéria publicada no site do Governo Federal.

O atendimento do Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) será ampliado a 35.440 escolas do campo, localizadas em 4.112 municípios doPaís. A iniciativa é do Ministério da Educação (MEC) e faz parte das metasdo Programa Nacional de Educação doCampo (Pronacampo). 
Entre as medidas previstas, está a entrega de computadores portáteis a 50 mil estudantes de 4.890 escolas de pequeno porte, por meio doprograma Um Computador por Aluno. Serão distribuídos, ainda, computadores interativos para 30.255 escolas, além de cinco mil laboratórios de informática, em 3.913 escolas, que atenderão quase 983 mil estudantes. Os equipamentos serão entregues em 2013.
A ampliação da participação das escolas docampo no Proinfo tem como meta contribuir para a inclusão digital por meio da ampliaçãodo acesso a computadores, a conexão à rede mundial de computadores e a outras tecnologias digitais, beneficiando a comunidade escolar e a população próxima às escolas do campo. A Portaria nº 68, publicada no Diário Oficial da União do dia 9 de novembro, determina que o MEC viabilize e garanta a entrega e instalação dos equipamentos nas escolas.
Os gestores municipais têm até o dia 30 de novembro para manifestar, por meio doSistema de Gestão Tecnológica (Sigetec)do MEC, o interesse em receber os equipamentos e informar a infraestrutura já instalada no local.

Proinfo

O Programa Nacional de Tecnologia Educacional (Proinfo) é um programa educacional que tem o objetivo de promover o uso pedagógico da informática na rede pública de educação básica.
O Proinfo leva às escolas computadores, recursos digitais e conteúdos educacionais. Em contrapartida, estados, Distrito Federal e municípios devem garantir a estrutura adequada para receber os laboratórios e capacitar os educadores para uso das máquinas e tecnologias.

Pronacampo
Lançado este ano, o Programa Nacional de Educação do Campo tem o objetivo de atender escolas rurais e quilombolas com ações em quatro eixos: gestão e práticas pedagógicas; formação de professores; educação de jovens e adultos; e educação profissional e tecnológica.
O objetivo é formar agricultores em universidades e em cursos técnicos para que apliquem os conhecimentos adquiridos em ações que elevam a produtividade naspequenas propriedades e garantam a distribuição de renda. O programa atenderáescolas rurais e quilombolas.
O Pronacampo trabalha a educação contextualizada, ou seja, promovendo a interação entre conhecimento científico e os saberes das comunidades.

Artigo: Os (des)caminhos do UCA no Brasil, artigo de Nelson Pretto

Artigo publicado no Jornal da Ciência em agosto do ano passado e que sintetiza de forma bem clara o sentimento das pessoas envolvidas no Projeto UCA.


A situação educacional brasileira - para ficarmos apenas no nosso caso - é complexa e demanda um olhar mais amplo para todo o sistema. Gostaria de focar no texto deste mês o uso das tecnologias na educação básica, obviamente não deixando de concentrar meu olhar para as condições de formação e trabalho dos professores e a relação destes com as tecnologias digitais de informação e comunicação.

De uma maneira bastante equivocada, a meu ver, o MEC praticamente interrompeu o programa Um Computador por Aluno, sem nem mesmo ter sido possível se fazer uma profunda avaliação do que significaram os cinco anos do projeto no Brasil. As cinco primeiras escolas entraram no experimento inicial no ano de 2007 e a constatação deste abandono, entre tantas outras que bem conhecemos por estarmos envolvidos no programa, está no próprio site oficial do UCA - www.uca.gov.br: a última notícia publicada é, pasmem, do final de 2010!

Aliás, parece que esta tem sido uma estratégia política do governo Dilma: mantém as políticas e projetos, sem dizer que acabou, mas não dá força suficiente aos mesmos para que possam ser alavancados para outros patamares. Outro exemplo evidente disso é o programa TelecentrosBr, objeto de contundente crítica durante o último Fórum da Internet no Brasil, acontecido em Recife em início de julho passado e que já mencionei aqui no texto anterior.

Desde o início do Programa UCA, foi instituído um grupo de trabalho (GTUCA) com renomados colegas, profissionais especializados no tema, cuja proposta era a de atuar, em teoria, em três frentes: formação, avaliação e pesquisa. Muito aconteceu ao longo deste período, mais escolas entraram no Programa, passamos de piloto para pré-piloto, foi realizada uma consulta de preços para que os estados e municípios pudessem adquirir eles próprios mais computadores mas, o que se observou ao longo destes anos - diferente de outros países latino-americanos -, é que o programa, efetivamente, só decolou onde, de fato, os professores e as secretarias municipais de educação o assumiram como deles.

Em parceria com o CNPq foi lançado um edital para realização de pesquisas, estando as mesmas em andamento, sem resultados para serem analisados e considerados. Do GTUCA não se viu nada de concreto além da formação dos professores para utilizarem o computador, formação essa que muito deixou a desejar, sendo por demais criticada em função de perspectiva instrumental de uso das máquinas. Enquanto isso, uma fenomenal burocracia faz daqueles que tentam trabalhar na formação dos professores verdadeiros escravos de formulários onlines e papéis impressos a serem enviados para Brasília.

Quase nada foi socializado, não se avaliou o pouco divulgado (inclusive a pesquisa encomendada para a Fundação Pensamento Digital http://www.pensamentodigital.org.br/) e, com isso, gerou-se uma frustração enorme nos alunos, professores e pesquisadores que estudam o tema. Não uma frustração romântica, de quem tem uma paixão inexplicável pela tecnologia, mas uma frustração pela inadequada e equivocada condução de uma política pública que poderia estar fazendo diferença na busca de uma radical transformação da educação pública no País.

Um dado curioso na questão é a posição da mídia em relação ao programa. Tão logo - e, de fato, de forma inesperada - o MEC anunciou a compra de tablets para os professores do ensino médio, observou-se uma crítica generalizada sobre a iniciativa.

De forma correta, questionou-se a não continuidade do UCA e a falta de avaliação do que esse programa significou. Mas, o mais interessante de tudo foi a crítica feroz feita por jornais e jornalistas ao fato de se estar propondo a compra de tablets para os professores sem uma necessária preparação dos mesmos para o uso dos equipamentos. Muito curiosa essa argumentação uma vez que, certamente, não me consta que os jornalistas tenham tido cursos para poderem usar smartfones, tablets, notebooks e outros aparatos tecnológicos contemporâneos. O que se vê - e não só no caso dos jornalistas, mas de toda a população - é que esses apetrechos digitais vão sendo incorporados à vida cotidiana de cada cidadão e, assim, de forma quase automática, no seu exercício profissional. Estarão esses jornalistas achando que nós, os professores, não somos capazes de utilizar esses equipamentos sem um curso de como mexer o dedinho para a busca de uma informação ou para a escrita de um texto?

Qualificar o trabalho cotidiano dos professores é fundamental se temos como meta modificar a realidade educacional do País. Essa qualificação passa por compreender que a presença das tecnologias digitais é importante para que o professor entenda o seu uso e de que forma elas passaram a modificar a maneira como se faz ciência e como se dá o pensar contemporâneo. O que se viu, na formação proposta - e praticamente a única ação além da distribuição dos computadores e da encomenda das pesquisas ao CNPq - foi uma formação centrada numa lógica instrumental sobre o uso das máquinas. E não é isso o que mais precisamos. Esse aprendizado prático, operacional, se dará quase de forma automática se tivermos professores fortalecidos enquanto intelectuais que, de fato, necessitam ser.

Assim, a questão de fundo é não compreender as tecnologias digitais como meras ferramentas auxiliares dos processos educacionais, o que, lamentavelmente, parece estar sendo o comum. Busca-se, o tempo todo, quando se fala de tecnologias e educação, "embarcar" pedagogia no equipamento. Quero dizer com isso que insiste-se na ideia de que precisamos de um equipamento pedagógico e não simplesmente de um computador, tablet, máquina fotográfica digital e todas as demais tecnologias, desde o lápis, para que esses equipamentos possam, ao serem utilizados na escola por professores qualificados, se constituírem em equipamentos de produção de conhecimentos e de culturas e não em meros reprodutores de cursos preparados alhures. (Dizem por aí que uma das ideias do MEC é pagar a tradução de um curso não sei de onde para embarcar nos tablets que irão para os professores do ensino médio no novo programa!)

Claro que essa perspectiva mais ampla demanda uma formação do professor para além do simples ensino de técnicas para usar os equipamentos. Demanda uma formação que inclua, também, lhe possibilitar adentrar plenamente no universo da cibercultura e, para tal, nada melhor do que viabilizar que os mesmos possam ter acesso aos equipamentos para que possam soltar a sua imaginação, navegar na rede e, também, se perder por este universo de imagens e informação. Isso, certamente, colocará os professores mais antenados com o que acontece no mundo, no País e em sua cidade, ao mesmo tempo em que poderão, com o auxílio e o estímulo dos seus jovens alunos, contribuir com a escrita da história do nosso planeta.

Uma política com esta perspectiva, não deixa de lado os laboratório de informática, os computadores portáteis do modelo 1 a 1 (UCA), o apoio à constituição de bibliotecas e tudo mais que possa estar presente na escola, transformando-a naquilo que denomino de um ecossistema pedagógico, rico em ciência e cultura, pleno de criação e de ativismo, tanto de professores como alunos.

Nelson Pretto é professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e secretário regional da SBPC-BA. Artigo publicado em 10 de agosto de 2012, no portal Terra Magazine.

domingo, 26 de agosto de 2012

Novas Tecnologias ou novas Metodologias em Educação?



Recentemente uma pequena (ou grande) discussão veio à tona em uma conversa sobre tecnologias na educação. A professora formadora insistia em utilizar o termo “novas tecnologias da educação”. Fiquei então pensando. O que seriam novas tecnologias da educação? A formação era sobre a utilização de mídias na educação. Acredite-se se quiser mais cerca de 60% dos professores da rede pública de ensino não sabem utilizar em sala de aula ou mesmo em salas especificas recursos de mídias como computadores, dvd’s e projetores multimídia (Data show). Até ai tudo bem. Mas chamar tais tecnologias de novas não seria um pouco de exagero?
Será que nossa metodologia é tão antiga assim que aparelhos que estão fadados ao ostracismo ainda podem ser chamados de novas tecnologias?  Recentemente o MEC através do FNDE e do Programa Proinfo começaram a distribuição nas escolas de um projetor multimídia completo. Um data show que já vem completo, cabe ao professor somente trazer a aula em um pendrive e conectar na USB do mesmo.

As tecnologias, como conhecemos hoje foram inseridas na educação há muito tempo. Paulo Freire já fazia uso da TV e fitas cassetes para um experimento de educação a distancia na década de 70 do último século do milênio passado.
A questão aqui é a palavra nova. É como se tais descobertas estivessem acontecendo agora. Sei que para alguns de nós até pode ser. Mas a grande maioria de professores já utilizam de métodos educacionais utilizando-se dessas tecnologias. E vale aqui lembrar que as escolas estão cheias de aparelhos eletrônicos capazes de melhor a dinâmica de sala de aula e acabar de uma vez por todas com a mesmice de aulas chatas e intermináveis.
Alias se você fizer uma pequena busca no sítio de pesquisas Google você encontrará muitas citações a respeito de “novas tecnologias de educação”. O que queremos aqui não é criar polêmica alguma sobre o tema, mas debatermos até que ponto essas tecnologias são novas ou não.
Tecnologias na educação é um tema que sempre trabalho em minhas palestras e sempre deixo claro que tais métodos não são tão novos assim. Alguém há de falar que qualquer ferramenta educacional sendo utilizada de forma diferente é uma nova tecnologia. Será? Não! Se você utiliza o computador para apenas exibir slides em sala de aula e outro professor o utiliza para criar um blog ambos estão utilizando a mesma tecnologia (não é uma tecnologia nova), mas o segundo professor está usando uma nova metodologia ao usar o computador.
Metodologia e Tecnologias são conceitos que não podem ser, de forma alguma, afastados quando o assunto é educação. Assim, se formos observar as coisas como realmente são podemos perceber que não é a tecnologia que muda é a metodologia.
No próximo post falaremos mais sobre novas metodologias aplicadas às tecnologias na educação.

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O Professor Sebastião Assunção é Formado em Ciências da Computação pela UESPI e Pós-Graduado em Tecnologias da Educação pela PUC-Rio. Trabalha nas redes estaduais e municipais de ensino da cidade de Floriano estado do Piauí. Além de Coordenar o Projeto UCA na mesma cidade.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Ubuntuca o novo Sistema Operacional dos Laptops Educacionais

Depois de mais de 4 anos de atraso o Sistema Operacional dos Uquinhas - como ficou convencionado que seriam chamados os laptops educacionais no Piauí a Universidade Federal (UFPI) autorizou as escolas que participam do projeto a trocar o sistema operacional.
O problema é que a defasagem não é só do SO. O hardware também não evoluiu. A troca do sistema é justamente para tentar dar um folego ao projeto que engatinha desde 2008.

Veja o que a escola escreveu:


A Escola Municipal Raimundinha Carvalho esta realizando a troca do Sistema Operacional dos laptops educacionais do Projeto UCA, chamados carinhosamente por estudantes e professores de Uquinha. O novo sistema operacional será o Ubuntuca, uma distribuição criada especialmente para os pequenos laptops.
O novo SO vem substituir o Metasys que rodava nestas máquinas anteriormente.

Segundo o coordenador do projeto na escola, o Professor Sebastião Assunção, o Ubuntuca vem para dar mais dinamismo ao programa já que a nova distribuição linux se adequa melhor ao hardware. Além de possuir uma gama de softwares mais atualizados como o pacote de aplicativos para escritório LibreOffice e uma quantidade enorme de joguinhos educativos.
A previsão é que todos os 423 laptops educacionais da escola estejam rodando o Ubuntuca até o fim de agosto e as formações com o novo sistema para os professores iniciará na 2ª quinzena deste mês logo que todos os professores da Escola voltarem do ParFor.  

É um processo lento e demorado. os pendrives de inicialização dão vários problemas a solução encontrada foi usar um drive externo de DVD mas como a escola não possui nenhum estamos trabalhando com um emprestado. Para a formatação e instalação de um sistema a duração é em média de 20 a 25 minutos. 

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Vale a pena trocar o Sistema Operacional Metasys pelo UbuntUca?


Uquinha

Desde meados de 2008 o governo Federal discute sobre o Projeto Um Computador Por Aluno e sua funcionalidade. A principio uma concessionária formada por CCE e Metasys venceram a licitação e produziram os aparelhos do modelo Classmate usado até hoje no projeto que agora é chamado de PROUCA.

A distribuição Linux Metasys é um sistema operacional do tipo corporativo e pouco se encaixava nos pequenos computadores do PROUCA. A interface não se adequava e os caminhos para se encontrar um arquivo ou mesmo um aplicativo eram os mais tortuosos possíveis. A formação dos professores com esse sistema, principalmente professores que não tiveram outros contatos com computador de forma alguma acabavam se perdendo um pouco nesses caminhos. Um outro agravante era o tamanho do Metasys quando espalhado no disco rígido do Uquinha (como o pequeno laptop ficou conhecido aqui no Piauí) inviabilizava a guarda de qualquer arquivo no disco ou a instalação de um aplicativo não nativo do SO. O aplicativo de escritório instalado no Metasys não se adequou as atividades desenvolvidas nas escolas. O aplicativo de planilha eletrônica não conseguia sequer realizar uma média ponderada.
Imagem:  http://www.ubuntuca.com.br/

Então, não existe dúvida quanto a troca do sistema Operacional Metasys pelo Ubuntuca. Nada contra a distribuição Metasys, mas para o ProUca a distribuição Ubuntuca derivado do Ubuntu se encaixou perfeitamente. É uma distribuição mais moderna. Com interface adequada a utilização de crianças. Ocupa menos de um terço do disco rígido do Uquinha. Permite a instalação de outros aplicativos ao sistema, além de possuir uma suíte de escritório bem mais moderna e mais confiável o LibreOffice.


Não há dúvida. A melhor decisão tomada nestes quase 3 anos de Projeto UCA foi a troca de seu sistema Operacional.

GTUCA - Floriano

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Para conhecer o Projeto UCA - Um Computador Por Aluno no Brasil acessem:
No estado do Piauí acessem:
Na cidade de Floriano, acessem:
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O Professor Sebastião Assunção é Formado em Ciências da Computação pela UESPI e Pós-Graduado em Tecnologias da Educação pela PUC-Rio. Trabalha nas redes estaduais e municipais de ensino da cidade de Floriano estado do Piauí. Além de Coordenar o Projeto UCA na mesma cidade.

sábado, 30 de junho de 2012

Progitec da Escola Municipal Raimundinha Carvalho


No próximo post estaremos tratando sobre as ações do Progitec da Escola municipal Raimundinha Carvalho e do Projeto UCA - Um Computador Por Aluno!!!!
Até lá!!!!

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Para conhecer o Projeto UCA - Um Computador Por Aluno no Brasil acessem:
No estado do Piauí acessem:
Na cidade de Floriano, acessem:
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O Professor Sebastião Assunção é Formado em Ciências da Computação pela UESPI e Pós-Graduado em Tecnologias da Educação pela PUC-Rio. Trabalha nas redes estaduais e municipais de ensino da cidade de Floriano estado do Piauí. Além de Coordenar o Projeto UCA na mesma cidade. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Como foi a implantação do Projeto "Um Computador Por Aluno" no Paraguai

O jornal Estadão publicou uma matéria falando sobre o funcionamento do Programa Um Computador Por Aluno no Paraguai. Leia a matéria na integra.


"O perigosíssimo analfabetismo digital

Por estas inexplicáveis coincidências da vida, semana passada, enquanto eu estava em Montevidéu dando uma conferencia para ex-alunos e futuros alunos Uruguaios do IE, conheci uma ex-aluna do Executive MBA que trabalhava num dos maiores projetos educacionais do país: o Plan Ceibal.
No dia seguinte, fui conhecer a sede do projeto e o diretor geral, Gonzalo Pérez Piaggio, com quem tive o prazer de me reunir e fazer umas perguntinhas.
Criado em 2007 diretamente pela presidência da república do Uruguai (ou seja, não depende de nenhum ministério ou ente público estabelecido), o projeto nasceu diretamente da ideia “One Laptop Per Child” concebida pelo famoso e polêmico Nicholas Negroponte do MIT (versão Wikipedia).
O projeto está comemorando 5 anos este ano, com alguns números bem impressionantes (apesar de algumas críticas, em minha opinião, menores): 100% das crianças possuem um laptop no Uruguai, o País se tornou o mais conectado da América Latina (91% da população) e praticamente eliminou o analfabetismo digital do país (todos os jovens com menos de 16 anos sabem operar um computador e têm noções de programação!). Mais de 500 mil pessoas já receberam os pequenos computadores. Tirei uma foto para vocês verem as máquinas:



Aproveitei para fazer algumas perguntinhas para o Gonzalo:
1) Como funciona a distribuição dos computadores? 
Durante os 9 anos da educação primária uruguaia os alunos recebem 2 computadores, que têm a vida útil de aproximadamente 5 anos. De 6 a 11 anos de idade, eles recebem o computador verde (mais simples), e dos 11 aos 16 o computador azul (mais potente). Os professores recebem uma versão ainda mais completa chamada Magalhães.
2) Quais foram os principais obstáculos na época?
Convencer a população de que estas máquinas não competiriam com os laptops comerciais vendidos por empresas tipo Dell, Lenovo, HP, etc, distorcendo o mercado de informática no país. Instalar ADSL e wifi em mais de 2.500 escolas em todo o país foi outro grande desafio (principalmente no campo).
3) E agora, qual o principal desafio?
Iniciar o processo de personalização da educação pública uruguaia, “desestruturando” a tradicional educação (industrializada e mecanizada) do País, que ensina as mesmas coisas, e num mesmo ritmo a todos os alunos do sistema, independentemente de suas habilidades ou afinidades com as matérias (a inspiração está claramente e abertamente baseada em Sir Ken Robinson, em outro post voltaremos a ele).
Tudo bem que o Uruguai seja um País pequeno (os críticos sempre dizem isso), mas não há dúvida de que estão educando seus jovens na direção correta. Outro ponto, talvez o mais importante, é que, sendo um dos países menos corruptos das Américas, o Uruguai consegue fazer com que os 50 milhões de dólares anuais do projeto sejam usados totalmente para o mesmo.
(...)
Contatos do autor do artigo:
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Para ler a matéria no sitio original acessem:
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Para conhecer o Projeto UCA - Um Computador Por Aluno no Brasil acessem:
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O Professor Sebastião Assunção é Formado em Ciências da Computação pela UESPI e Pós-Graduado em Tecnologias da Educação pela PUC-Rio. Trabalha nas redes estaduais e municipais de ensino da cidade de Floriano estado do Piauí. Além de Coordenar o Projeto UCA na mesma cidade.